Sentirei sua falta

James Morrison

Sentirei sua falta, na verdade já a sentia no momento em que iniciamos nosso… relacionamento?, nem mesmo sei como denominar o que juntos vivemos! Tudo o que sei é que foi mágico e maravilhoso, apesar de eu já sentir a sua ausência, pela consciência de ser certa a futura vinda dela, por ter sido essa, uma história na qual o final já havia sido desvendado no início.
O que sinto por você? O que tudo isso representou para mim? Várias vezes já me peguei meditando em sobre tais questões, jamais consegui chegar a conclusão alguma. Mas sei que certamente é-me alguém especial, por quem tenho um enorme carinho, o qual tantas vezes tentei encobrir, procurando ocultar-lhe (sem saber se era vitoriosa no intento). Alguém que, por algum motivo ainda indefinido, sempre teve o poder de fazer meu sangue ferver, pulsar com maior força em minhas artérias, aumentando cada um de meus sentidos e me trazendo sensações… as melhores que já tive, sem dúvida alguma! Alguém que me trouxe um maior prazer em viver, simplesmente por viver, enxergando a vida com maior brilho, novas cores… Alguém que fez-me descobrir um pouco mais de mim mesma, revelando-me a meus próprios olhos (!), a única pessoa que conseguiu fazer com que mostrasse, ao menos em parte, o meu verdadeiro ser.
Jamais poderei definir, traduzir ou esquecer os poucos e grandiosos momentos que consigo vivi, e desejo que continuem sempre vivas em minha mente todas essas senas e agradáveis sensações, pois o nosso ser presente é o acúmulo das lembranças e aprendizados de nossas vivências passadas, de nossa própria história. Nossa evoluída mente possui o poder de também presentificar o prazer vivido e sentido por suas simples recordações, e você é uma que quero guardar enquanto consciência tiver.
Levarei de você apenas boas lembranças, e por elas sentirei sua falta, saudade das belas poesias que compúnhamos quando nossos corpos se encontravam, entrando instintivamente num ritmo perfeito, fazendo de você, minha melhor composição poética, a mais bela de todas as lembranças que hoje carrego.
Você, que se tornou a realização da minha maior fantasia e não realização de uma outra que levarei comigo em forma de desejo, a ânsia de adormecer e despertar em seus braços, sentindo durante toda a noite sua pele grudada na minha , aquecendo-me com o grande calor de seu corpo.
Por tudo isso, já sinto e seguirei sentindo sua falta, sentindo meu corpo aquecer cada vez que lembrar de você, e ao cerrar os olhos, a imagem de sua face surgirá como se a minha frente, o sabor de seus lábios molhados sentirei nos meus, o toque de sua pele na minha… Seguirei revivendo e presentificando sensações. Assim, sentirei sua falta…

(Ana Paula Sardinha)

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Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?

Não pergunte pra mim você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

                                                                       (Arnaldo Jabor) 

Pensando ao sabor de um Cappuccino

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Eu,eu mesma e eu!

TODO MUNDO TEM O SEU CANTINHO

 

Certamente todo mundo tem

O seu cantinho predileto

O espaço sagrado que vai além

Quando ninguém está por perto

Todo mundo tem o seu cantinho

No seu ser de si a mais interiorizada sentição

Pondo a alma a nu ali de si sozinho

Estando no céu entregue em íntima proporção

Todo mundo tem o seu incenso

Seu lado remanso a céu aberto

Todos precisam de infinito silêncio

Como uma voz que clama no deserto

Todo mundo tem mesmo no terreal

O seu lado sentidor a estar consigo

Descansando a vida em purgação espiritual

Ao lado de um anjo da guarda amigo

Num lugar assim nada se diz, o silêncio fala

A voz do silêncio é dantesca quase infinital

A tristice no fermento em decantação cala

Você mesmo a sós mas em triste caos total

Como o seu travesseiro seguro amigo é

E ainda ótimo recanto e conselheiro

Tenho um cantinho todo meu em Itararé

Para a alma alada ali abrir um berreiro

Porque na casa da mãe Eugênia o meu espírito é

Epifania, genuflexório e confessor

Ali me sinto dentro do meu próprio coração até

E lavo-me de torrencial e magno amor

A vida tem limbo, horror, mas tem seda, algodão e linho

Onde nos escondemos de nós quando precisamos chorar

Nos damos ali como seres humanos – cada um de si sozinho

Porque em paz conosco mesmo havemos de nos encontrar

Silas Correa Leite